Jequibau - O ritmo brasileiro

A vida musical extraordinária dó Maestro Mário Albanese, um dos criadores do "Jequibau" o Ritmo Brasileiro.

Mário Albanese é um dos mais extraordinários pianistas brasileiros. Autor de uma obra vasta, desde os anos 50 mesclou o trabalho profissional de advogado com o de estimulador da música brasileira. Teve programas de violão em rádio, foi parceiro de Garoto e, junto com Ciro Pereira, lançou o jequibau - um ritmo pentatônico que chegou a ter repercussão mundial entre os especialistas. -Luís Nassif-

Mas de onde vem a expressão Jequibau?

Do álbum de músicas editado em 1966 pela Peer International Corporation dos EUA, Jequibau, The Exciting Rhythm From Brazil, no prefácio o Mº George Barnes foi incisivo: Este maravilhoso e novo ritmo brasileiro é o primeiro 5/4 com uma pulsação verdadeira (This wonderful new brazilian born rhythm is the first 5/4 with a true pulse). Com dez (10) músicas originais de Mário Albanese e Ciro Pereira, arranjadas para piano pelo Mº George Cole que ajuizou o Jequibau como uma fórmula verdadeira de cinco tempos (Jequibau is a true five beat form).
Lançado em 23 países simultaneamente contendo, além da partitura, a anotação cifrada dos acordes e, o rhythm digest, síntese de como o ritmo se comporta para ser jequibau. Assim, tendo como base a melodia, estão especificadas as funções da guitarra, do baixo e da bateria. Curiosamente são cinco (5) desenhos diferentes que se entrelaçam harmoniosamente gerando uma seqüência que flui com espontaneidade. Observe-se que no LP de lançamento do Jequibau, piano e orquestra de cordas, o ritmo não se sobrepõe é insinuado e faz parte do contexto melódico e harmônico. Normalmente, quando se fala em ritmo a percepção comum é de uma batida predominante e percussiva. Jequibau é diferente até por esse aspecto e, por isso, é sugestivo. O cordão umbilical de tudo acaba sendo sempre o folclore onde os pesquisadores, Mário Albanese e Ciro Pereira, encontraram várias estruturas diferentes de ritmo no candomblé, um culto afro-brasileiro. Joeirado na riqueza do rico folclore do país os músicos garimparam também um compasso de cinco tempos no fio melódico de uma Cantiga de Roda. Constataram ainda que na tradição do folclore argentino a dança Los Amores se desenvolve na alternância de compassos de dois (2) e três (3) tempos. Na música popular Take Five, de Paul Desmond, estrutura-se no esquema 3 e 2.
Missão Impossível, do argentino Lalo Schifrin idem. Assim, é ilógico reconhecer uma seqüência alternada de dois compassos diferentes e entendê-los como sendo um!

Jequibau é um estilo musical criado por Mário Albanese e Ciro Pereira.
Certa vez, num folheto, escreveu o poeta popular Téo Macedo, em sextilhas:

Jequibau é jequibau
Diferente marcação
Cinco tempos por inteiro
Contrariando a tradição
Um compasso brasileiro
Nova forma de expressão

Jequibau é jequibau
A palavra é singular
Não existe em dicionário
Não adianta procurar
E depois de tantos fatos
É hora de registrar...

No ritmo jequibau gravaram Hermeto Pascoal, Jair Rodrigues, Altemar Dutra e Moacir Franco, entre centenas de outros artistas brasileiros. No campo internacional, destaque das gravações para Andy Willians, Charlie Byrd, Sadao Watanabe e Rita Reys.
Mário Albanese, nunca é demais dizer: é uma glória nossa absolutamente necessária de se rever, de se redescobrir e aplaudir. -Assis Ângelo-